|
Notícia - Tese de que animais pensam ganha força
Tese de que animais pensam ganha força
Dados obtidos desde os anos 90 reforçam conceitos já defendidos por cientista desde 1976.
Desde 1990, uma série de novas informações fortaleceu a hipótese de que os animais pensam. No Arizona, um papagaio cinzento africano chamado Alex pode identificar cores e formas assim como qualquer criança na pré-escola. Na Geórgia, um macaco, Kanzi, conversa com seu treinador por meio do teclado do computador e assiste a filmes do Tarzan na televisão. Há duas semanas, pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology publicaram evidências de que os ratos sonham. Programas que apresentam a animais quebra-cabeças disfarçados como brinquedos e truques transformaram-se numa situação comum no cotidiano dos zoológicos.
Isso tudo começou há 25 anos com o cientista americano Donald Griffin, hoje com 85 anos. Em 1976, ele publicou um livreto sugerindo que os humanos não tinham o monopólio de pensamentos e sentimentos. Os animais, ele afirmava, muito provavelmente também possuem essas características.
Os cientistas ficaram apavorados com a proposta. Segundo a doutrina comportamental da época, os animais não eram nada mais que robôs com um sistema nervoso central. A idéia de que uma formiga ou um urso poderia ter pensamentos, imagens mentais, experiências ou crenças não era apenas risível para eles; era herética. Quando Griffin lançou outro livreto sobre a consciência animal, nos anos 80, um psicólogo comportamental classificou a obra como "Os Versos Satânicos do comportamento animal".
Não fosse pelo fato de ocupar um cargo intocável na Rockefeller University e ter reputação internacional, Griffin talvez se visse desempregado depois disso. Como um graduando em Harvard nos anos 40, ele ajudou a explicar como os morcegos voavam no escuro e criou o termo ecolocalização para descrevê-lo.
Em janeiro, ele foi ao zoológico do Central Park de Nova York fazer uma palestra para doadores e membros da direção. "Dennett chama a busca da consciência animal uma `perseguição ao ganso selvagem'. Mas não há neurônios ou sinapses na mente humana que não existam nos animais. É tão difícil refutar a consciência animal quanto prová-la." Embora oficialmente aposentado, Griffin continua ativo. Atualmente, investiga uma colônia de castores perto de sua casa, em Massachusetts.
Enviado por O Estado de São Paulo em 03/09/2005
|